Trezentos e oito dos 399 municípios paranaenses vão receber do governo do estado um "kit viveiro", instrumentos e equipamentos para produzir mudas de árvores nativas que serão usadas posteriormente no reflorestamento de margens de rios. O objetivo do governo do estado é transformar as prefeituras em parceiras no Programa Estadual da Mata Ciliar. A meta é de que os viveiros municipais produzam, até 2006, cerca de 50 milhões de mudas. O convênio, por meio do qual o governo repassará o kit às prefeituras, foi assinado ontem, em Curitiba, pelo governador Roberto Requião.

O kit é composto por um sistema de irrigação e de 45 mil tubetes (espécie de tubos de ensaio) para o crescimento das mudas, além de uma cobertura de plástico (conhecida como sombrite) e de uma estrutura tubular, para a montagem de estufas. O estado está investindo, por meio do Fundo Estadual do Meio Ambiente, cerca de R$ 2,5 milhões para repassar o kit.

Os municípios que assinaram o convênio se comprometem a produzir as mudas de árvores nativas, diz o secretário de estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida. Para que o programa funcione, afirma ele, haverá a fiscalização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), do Ministério Público e do Tribunal de Contas.

Cheida diz que o atual programa de viveiros nas cidades é diferente do projeto levado adiante na gestão estadual anterior (batizado de Florestas Municipais). Segundo o secretário, este programa primordial tem por objetivo a produção nas mudas nativas e não de exóticas. Segundo ele, no primeiro ano do convênio, 70% da produção do viveiro terá que ser, obrigatoriamente, de mudas de espécies da fauna paranaense. No segundo ano, serão 80%. E, no último, 100%. A instituição que vai dar orientação técnica sobre quais espécies podem ser produzidas é a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Importância

O secretário do Meio Ambiente explicou que o reflorestamento das margens de rios é importante para evitar a erosão (e o empobrecimento) do solo e o assoreamento dos rios. Ele citou dados do Ministério da Agricultura para exemplificar o problema. Segundo o ministério, para cada quilo de grãos produzidos no país, são perdidos 10 quilos de solo devido à erosão. As lavouras desprotegem o solo. E a terra acaba sendo carregada pelas chuvas. O objetivo do governo estadual, com o Programa da Mata Ciliar, é plantar, até o fim de 2006, 90 milhões de mudas nas margens de rios, o que evitaria parte da erosão do solo e do assoreamento dos rios. A vegetação das matas impede que o solo seja carregado com as enxurradas.


Fonte: Gazeta do Povo

Jorge Enoch Furquim Werneck Lima
Pesquisador em Hidrologia
Embrapa Cerrados
(61) 388-9894

KIT VIVEIRO

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